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Ovulação e menstruação depois do parto: tudo o que você precisa saberTempo estimado de leitura: 5 minutos

Da mesma forma que a ausência da menstruação é um dos primeiros sinais de gravidez, uma dúvida bem comum entre nós depois que o bebê nasce é: quando a exatamente acontece a ovulação e menstruação depois do parto?

Isso varia de mulher para mulher e varia, também, de acordo com o fato da mulher estar amamentando ou não, uma vez que a amamentação provoca picos do hormônio prolactina, o que pode inibir a ovulação e, consequentemente, atrasar a primeira menstruação.

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Ovulação e menstruação depois do parto

Após o parto, ocorre no organismo da mãe um processo de cicatrização do útero caracterizado por um sangramento intenso, que não é a menstruação, chamado de loquiação.

Diferentemente da menstruação, que se trata da descamação da parede do endométrio quando não há a fecundação, a loquiação vem do processo de contração do útero em decorrência do descolamento da placenta. O sangramento dura, em média, de 40 a 45 dias e seu fluxo, bem como sua coloração, tende a ser bem intenso e vermelho no início.

De modo geral, nessa fase as mulheres têm a libido bem diminuída, os níveis dos estrogênios (o principal hormônio feminino) se mantêm baixos, a região genital fica mais ressecada, pois os seus ovários não retomam o funcionamento completo tão prontamente. 

Dos 11 dias do parto em diante volta a haver alguma produção de estrogênios, mas o retorno da menstruação de fato tem prazos diferentes entre mulheres. Quem amamenta pode demorar mais para menstruar, até alguns meses, enquanto este retorno menstrual pode chegar em média em um mês e meio pós-parto, se por algum motivo não foi possível sustentar a amamentação.

E qual o problema de menstruar? Bom, aqui o grande ponto é que a volta da menstruação significa que você voltou a ovular e está de volta à exposição de possibilidade de engravidar! 

O “golpe” da prolactina

Ovulação e menstruação depois do parto

A prolactina é um dos principais hormônios envolvidos na produção do leite após o parto. No período puerperal, os altos níveis de prolactina levam a redução dos níveis dos hormônios LH e FSH. Na fertilidade, eles regulam o ciclo menstrual, estimulando o crescimento dos folículos (FSH) e provocando a ovulação (LH).

Com a redução na produção desses hormônios, a mulher passa por um período de redução da libido, como falei, amenorreia (ausência de menstruação), e períodos anovulatórios (ou seja, redução da capacidade reprodutora por ausência de ovulação).

Por esse motivo, muitas pessoas acreditam que o aleitamento materno, por si só, seja capaz de inibir uma nova gestação. E, na teoria, isso é verdade. Entretanto, vários fatores como uso da chupeta, mamadeira, introdução de líquidos ou sólidos e longos intervalos entre as mamadas (ex. intervalo noturno maior que 6 horas), podem interferir diretamente na produção de leite, permitindo oscilação da liberação de prolactina, facilitando a possibilidade de ovulação. Por isso, se você voltou a menstruar, entenda que já está fértil novamente, e se outra gestação não estiver nos seus planos, é importante pensar na contracepção. 

Mas aqui há um outro ponto de atenção: quando a menstruação chega, a ovulação já aconteceu. Por isso, há um risco de que você não saiba que está ovulando e ainda não esteja tomando nenhuma precaução para evitar a gestação, e é daí que surgiu o termo “golpe da prolactina”, pois as mulheres ainda não voltaram a menstruar e acreditam estarem ainda no período anovulatórios, mas acabam engravidando. 

Como se prevenir? Se ocorrer uma relação, tenha camisinha por perto. Se você não quiser correr riscos, uma pílula com apenas progesterona pode ser iniciada a qualquer momento pós-parto e não vai atrapalhar a sua amamentação nem prejudicar o bebê, converse com seu obstetra. Ainda que sejam recomendadas mais frequentemente na revisão de um mês do parto, podem ser iniciadas desde a alta do hospital.

E você também pode colocar um DIU, um dispositivo dentro do útero que vai protegê-la de uma nova gravidez, ao menos enquanto isso for de seu interesse. Novamente, ele pode ser inserido até imediatamente após o parto ou após um mês. Essa foi a minha escolha após o nascimento dos meus filhos: coloquei depois do nascimento do Gustavo, tirei quando planejei a gravidez do Murilo e, depois que ele nasceu, coloquei de novo. Me adaptei super bem e nunca tive problemas. 

Os métodos de prevenção incluem várias possibilidades. Sempre haverá um adequado para cada mulher e de acordo com a sua história clínica. Converse com seu médico para encontrar a melhor alternativa para você e aproveite essa fase pós nascimento do seu bebê com tranquilidade!

De mãe em mãe, construiremos um novo maternar!

Referências

McNeilly AS. Prolactin and the control of gonadotrophin secretion in the female. J Reprod Fertil. 1980;58(2):537-549. doi:10.1530/jrf.0.0580537

“Contracepção no puerpério” – Departamento de Obstetrícia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Disponível em: http://www.me.ufrj.br/images/pdfs/protocolos/obstetricia/contracepcao_no_puerperio.pdf. Acesso em: fevereiro de 2022. 

RODRIGUES da CUNHA, A. C.; DOREA, J. G.; CANTUARIA, A. A. . Intrauterine device and maternal cooper metabolism during lactation. Contraception, v.63, n.1, p.37- 39, 2001.

SILVA, C. R. Anticoncepção na nutriz. In: REGO, J. D. (Ed.) Aleitamento materno: um guia para pais e familiares. 2.ed. São Paulo: Atheneu, 2008. p.189-200.

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