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Dicas práticas para estimular a fala da criançaTempo estimado de leitura: 7 minutos

O desenvolvimento da fala, da linguagem e de habilidades cognitivas ocorrem nos primeiros anos de vida e desde o nascimento o bebê passa por processos importantes para sua comunicação. Cada criança tem suas particularidades, mas, em geral, há etapas semelhantes a serem cumpridas de acordo com a idade e o desenvolvimento cognitivo para estimular a fala que explico melhor abaixo.

Etapas do desenvolvimento da linguagem das crianças

0 a 12 meses

  • É o estágio “pré-linguístico”. A criança não usa palavras, é um estágio preparatório da linguagem como a conhecemos.
  • A criança se comunica com as pessoas. Chora se está com fome, com frio ou se a fralda precisa ser trocada, sorri socialmente, vocaliza e grita para exigir que seja atendida.
  • É hora do choro diferenciado. A mãe é capaz de entender cada uma das suas mensagens. Ela sabe se o choro é por causa da fome ou do frio, já que em cada caso existem nuances diferentes.
  • A criança brinca com os sons. Com o passar dos meses, a criança aprende a pronunciar vogais e algumas consoantes como por exemplo; “papapa”, “mamama” e “padada”.
  • No final dessa etapa a criança participa do diálogo e pode repetir e produzir algumas palavras simples como “mimi” e “papa”.

12 a 24 meses

  • Nesse período, a criança entende as ordens e as cumpre.
  • É capaz de usar palavras simples. Geralmente, são substantivos que se referem a objetos conhecidos.
  • Aponta figuras ou objetos nomeados pelos pais e faz pequenas intervenções a respeito de uma história curta que esteja escutando.
  • Reconhece o próprio nome e apelido, respondendo quando é chamada.
  • Há crianças que chegam ao final desse período com um domínio muito bom de vocabulário e estruturas linguísticas. Essa evolução depende, em grande parte, do estímulo que ela recebe das pessoas ao seu redor.

2 a 6 anos

  • Nessa fase a criança irá combinar palavras em frases simples e elas vão se tornar cada vez mais complexas e melhor estruturadas até chegar a narrativa com maior organização.
  • Até os 6 anos, a criança ainda pode apresentar alguns problemas na produção de grupos consonantais, como por exemplo em “prato” – “pato”.
  • O nível de compreensão também se desenvolveu, e, além disso, a criança inicia e mantém a conversação por muitos turnos, com vários interlocutores, sobre temas abstratos.

Como estimular a fala das crianças

Em primeiro lugar, é preciso perceber se existem fatores que podem prejudicar a aquisição da fala, como problemas de audição ou visão, por exemplo. Outro fator é a falta de diálogo dos pais com as crianças, impedindo-as de viver interações e estímulos importantes para desenvolver a fala.

Crianças que chegam aos dois anos sem falar devem ser encaminhadas a avaliações com o neuropediatra, para verificar as possíveis origens da ausência dessa habilidade. Pode haver algum transtorno ou problema cognitivo.

Caso essas hipóteses sejam refutadas, é importante consultar um fonoaudiólogo para um tratamento focado e específico.

Por aqui o Muri apresentou um atraso na fala e fizemos todas as avaliações físicas necessárias. Mas ele passou metade do tempo de vida dele trancado em casa por conta da pandemia e o diagnóstico é falta de estímulo mesmo. Então estamos passando com a fono e fazendo alguns exercícios para ajudar.

Hoje vou compartilhar com vocês as dicas e exercícios simples que estamos fazendo com o Muri para ajudar a estimular a fala, seguindo as orientações da fonoaudióloga que o acompanha, e que podem te ajudar também:

  1. Pronuncie corretamente as palavras, usando boa articulação e entonação. Evite falar de forma infantilizada, utilizando diminutivos, ou pedir para que ela repita palavras.
  2. Dê à criança oportunidade para falar. Não atenda prontamente quando ela tentar se comunicar por meio de gestos, mesmo que você saiba o que ela deseja. Você pode perguntar à criança, por exemplo, se ela quer água e aguarde até que ele responda.
  3. Reforce de forma positiva qualquer tentativa de fala da criança, mesmo que a palavra seja produzida de forma incorreta.
  4. Quando a palavra for produzida de forma incorreta, devolva a criança de maneira correta, como por exemplo, a criança pede “neca” você pode responder “Você quer a boneca?”.
  5. Conte histórias, cante músicas, leia livros, explore os objetos e sons do ambiente com foco na descrição.
  6. Exercícios de sopro ajudam no fortalecimento da musculatura orofacial, que também pode interferir no desenvolvimento da fala. Algo simples como colocar um canudo em um copo com água e pedir para a criança soprar e fazer bolhas é um ótimo exercício!
  7. De palavras soltas, ensine formas frases: 1º ensine verbos flexionados, ex: quero, caiu, acabou, acende e ensine advérbios, ex: ali, cadê, onde; 2º faça pergunta em que a resposta esteja na própria pergunta, ex: ao invés de perguntar onde está o carrinho, pergunte – o carrinho está no quarto?
  8. Procure o fonoaudiólogo quando tiver dúvidas quanto ao desenvolvimento de linguagem e fala da criança. Não se deixe levar pela crença de que a criança amadurecerá, e com o tempo irá aprender a se comunicar melhor. Muitas crianças podem precisar de ajuda nesse processo e quanto antes iniciar o processo de terapia direcionada ao desenvolvimento de linguagem, melhor e mais rápidos serão os resultados evitando assim que essa dificuldade possa atrapalhar a aquisição de leitura e escrita, por exemplo.

Além de falar com vocês as dicas práticas que eu aplico aqui em casa com o Muri, convidei a Fonoaudióloga que nos acompanha, Maria Luiza Piassi, para falar mais algumas dicas e pontos de atenção sobre esse assunto:

Eu acrescentaria ainda o cuidado que precisamos tomar com as “babás eletrônicas” da modernidade, que são os celulares e televisão. Quando a criança assiste um desenho ali na tv ou na internet, o estímulo é unilateral, ou seja, não há um diálogo ou a possibilidade de participação da criança, ela é espectadora. Por isso, é preferível contar histórias, usar fantoches e bonequinhos e, muito importante, manter um diálogo com as crianças desde bem pequenininhas. Um dos erros dos pais é por muitas vezes limitar o diálogo com as crianças à perguntas e repetições como ‘quer água?’, então, sempre utilizando uma linguagem simples, converse sobre tudo com as crianças, mantenha um diálogo, desde bebês.

Outro ponto importante é reestabelecer o rito das refeições onde a família conversa, onde a criança vê os pais falando sobre a comida e sobre outros assuntos e é convidada a participar dessa conversa também. Nesse momento é primordial a restrição de distrações como televisão ou tela exatamente para estimular essa interação e diálogo entre a família.

Além disso, é importante prestar atenção se a criança respira pela boca e nos hábitos de uso de bicos como chupetas e mamadeiras, chupar dedo ou sugar a língua. As funções respiratórias e mastigatórias são extremamente importantes para o desenvolvimento da fala, então precisamos ficar de olho.

Maria Luiza Piassi – Fonoaudióloga.

Lá no meu Instagram @gibelarmino_ eu tenho compartilhado a evolução do Muri e os exercícios que temos feito para estimular a fala. Se você ainda não segue, aproveita para ficar por dentro dessas e outras dicas!

Importante reforçar que as dicas não substituem a avaliação de uma equipe multidisciplinar envolvendo otorrino, fonoaudióloga, nutricionista, pediatra e outros profissionais que avaliam limitações e atitudes que podem atrapalhar a fala.

De mãe em mãe, construiremos um novo maternar!

Referências

Feldman HM. How Young Children Learn Language and Speech. Pediatr Rev. 2019;40(8):398-411. doi:10.1542/pir.2017-0325

Hustad KC, Mahr T, Natzke PEM, Rathouz PJ. Development of Speech Intelligibility Between 30 and 47 Months in Typically Developing Children: A Cross-Sectional Study of Growth. J Speech Lang Hear Res. 2020;63(6):1675-1687. doi:10.1044/2020_JSLHR-20-00008

NASCIMENTO, Fernanda Mara do; RODRIGUES, Marina Brandão e PINHEIRO, Ângela Maria Vieira. Programa de orientação: como estimular a linguagem das crianças nascidas pré-termo. Psicol. teor. prat. [online]. 2013, vol.15, n.2, pp. 155-165.

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