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O que é moleira funda?Tempo estimado de leitura: 8 minutos

Você sabe o que é moleira funda? Essa condição pode assustar os pais, por isso é preciso entender quando ela é ou não é normal.

Se você já conviveu com algum bebê na família, provavelmente já ouviu falar sobre a moleira — e os cuidados que se deve ter com ela. Mas você sabe, exatamente, o que é a moleira? Embora nosso crânio pareça uma esfera sólida, ele é composto por vários ossos que se juntam em um tecido conjuntivo denso chamado sutura.

O recém-nascido não tem esses ossos juntos, havendo um espaço entre eles, que é o que chamamos de moleira. É exatamente por esse motivo que uma das principais preocupações dos pais em relação ao recém-nascido diz respeito aos cuidados que se deve ter com a cabeça. 

Nesse post vou explicar mais sobre a moleira do bebê, o que significa moleira funda, e quando você deve se preocupar com ela. Confira! 

O que é a moleira?

moleira funda
Imagem: Canva

A cabeça do bebê é formada por seis ossos e um tecido flexível e elástico chamado sutura. Esta região “mais macia” é chamada de moleira, mas seu nome científico é fontanela. Há duas fontanelas na cabecinha da criança, a primeira na região anterior e a segunda na parte de trás. A região que mais causa preocupação nas mães é a da frente, por ter um tamanho maior, isto é, cerca de dois dedos.

Como é uma membrana molinha, é comum que ela se mova um pouco, fazendo um movimento de pulsação leve, o que é considerado normal.

Por que a moleira existe e para quê serve? 

Essa região mais molinha na cabeça do bebê existe para que seja possível, no momento do nascimento, uma movimentação dos ossos, de modo a facilitar a vinda dele ao mundo. 

Por isso, não se espante se o recém-nascido tiver a cabeça em uma forma cônica nas primeiras horas após o parto. Isso acontece porque as placas ósseas são macias e podem se comprimir e sobrepor para que a cabeça passe pelo canal vaginal, que é estreito. Esse processo é chamado de moldagem.

Esse formato de cone na cabeça do recém-nascido é mais comum em bebês que se encaixam na pélvis da mãe bem antes do nascimento ou naqueles que passam por longas horas de trabalho de parto. Aliás, não são raros os casos em que dá para sentir “calombinhos” no crânio do pequeno.

Na verdade, são os lugares onde as placas ósseas se sobrepuseram, por isso não há com o que se preocupar. Nos próximos dias, a tendência é que o crânio se arredonde e as saliências desapareçam.

Assim como todas as partes do corpo, o crânio ainda está em fase de desenvolvimento e, em determinado momento, com o crescimento dos ossos, esses espaços se fecharão.

Quando a moleira do bebê fecha?

A região da moleira localizada na frente da cabecinha do bebê, por ser a maior, demora mais tempo para se solidificar, o que pode levar de 12 a 18 meses. Já a da parte posterior do crânio, ou seja, atrás da cabeça, leva, em média, 2 meses para se fechar. Este intervalo pode variar, mas até completar dois anos de idade o bebê já terá a sua cabecinha dura, com a formação do crânio completa.

Caso essa região se solidifique antes do tempo considerado normal, entre os 3 e 4 meses, poderão aparecer dificuldades no desenvolvimento cerebral do bebê e o pediatra poderá indicar um procedimento cirúrgico para que o cérebro consiga crescer. Essa condição chamada de cranioestenose é extremamente rara: conhecida popularmente como “doença da moleira fechada”, geralmente, acontece por influência genética e pode ser diagnosticada por exames de imagem.

O que é moleira funda e quando me preocupar?

A moleira funda é exatamente o que o nome diz. A fontanela fica afundada em relação ao crânio. Se a criança se mantém ativa e bem, pode não ser nada. Porém, se ela estiver mais quieta do que o normal, pode significar alguns problemas: desidratação e desnutrição.

Desidratação

É a principal causa de preocupação com a moleira funda. A falta de líquidos no corpo pode causar o afundamento da fontanela e isso é um problema sério que deve ser levado ao médico imediatamente. Antes, observe se o seu bebê apresenta sinais como: pele e lábios ressecados, urina forte e escura, fralda seca por muito tempo, choro sem lágrimas e olhos afundados.

Além disso, é comum ficar com a respiração rápida, sede e sonolência. Caso você repare em um ou mais desses sinais junto à moleira afundada, encaminhe ao pronto-socorro, pois a desidratação em bebê pode ser grave.

Desnutrição

A desnutrição em bebês ocorre por vários motivos, em que há alteração na absorção dos nutrientes, como intolerância alimentar ou doenças hereditárias. Os sintomas incluem diarreias frequentes, perda de apetite, mudança na cor da pele, sonolência, crescimento lento, moleira funda e outros. Esse também é um caso em que deve-se levar o bebê ao centro de urgência.

Diabetes insipidus

A diabetes insipidus também pode causar a moleira funda no bebê e é uma doença que acontece devido a uma alteração no funcionamento dos rins, o que faz com que o bebê urine em maior quantidade e perca muita água, provocando desidratação. Essa doença não é muito comum, mas pode ser genética e, por isso, ser notada logo após o nascimento. Nesse caso, o médico pode indicar alguns medicamentos para reduzir a perda de urina.

Quais são os cuidados com a moleira do bebê?

moleira funda
Foto de Tanaya Sadhukhan no Pexels

A moleira do bebê é tão delicada que muitos pais têm medo de tocar. Certamente você já deve ter ouvido da sua mãe, tia ou avó que não se deve tocar na moleira do bebê. Entretanto, saiba que, apesar de não haver uma placa óssea ali, o interior está bem protegido para o manuseio na rotina, como dar banho ou trocar de roupa.

O que não pode ser feito, em hipótese alguma, é apertar essa região ou provocar traumas por ser muito sensível. Na hora do banho, seja delicada ao lavar a cabecinha do bebê, tanto com a parte da frente, quanto a de trás.

É preciso ficar atento aos objetos pontiagudos que podem atingir a região, como quinas de móveis. Além do mais, irmãos e crianças mais velhas têm o costume de querer pegar o bebê. Nessas horas, é imprescindível ser vigilante para que o recém-nascido não seja atingido com um brinquedo, por exemplo, que tenha alguma ponta.

Outro cuidado é em relação às posições em que o bebê fica. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que os bebês durmam de barriga para cima para prevenir a Síndrome da Morte Súbita Infantil (SMSI). Entretanto, para evitar o achatamento da cabeça, é importante segurar o seu bebê em diferentes posições durante o dia, bem como deixá-lo de bruços diariamente.

Como você pôde conferir, a moleira funda em si não é um problema, mas pode ser sinal de um. Portanto, além de observar a fontanela do bebê, é preciso analisar outros sintomas que podem indicar desidratação ou desnutrição. Aqui, vale reforçar a importância do acompanhamento com o pediatra para avaliar qualquer alteração na região e deixar os pais mais tranquilos.

De mãe em mãe, construiremos um novo maternar! 

Referências

Sarigecili E, Makharoblidze K, Çobanogullari MD, Yildirim DD, Komur M, Okuyaz C. Neurodevelopmental risk evaluation of premature closure of the anterior fontanelle. Childs Nerv Syst. 2021;37(2):561-566. doi:10.1007/s00381-020-04846-6

Ghizoni E, Denadai R, Raposo-Amaral CA, Joaquim AF, Tedeschi H, Raposo-Amaral CE. Diagnosis of infant synostotic and nonsynostotic cranial deformities: a review for pediatricians. Diagnóstico das deformidades cranianas sinostóticas e não sinostóticas em bebês: uma revisão para pediatras. Rev Paul Pediatr. 2016;34(4):495-502. doi:10.1016/j.rpped.2016.01.004

Mount Sinai. Fontanelles – sunken. 2021. Disponível em: https://www.mountsinai.org/health-library/symptoms/fontanelles-sunken.  Acesso em maio de 2022. 

Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento de Medicina do Sono. Síndrome da Morte Súbita do Lactente. Documento Científico nº 4, outubro de 2018. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4546046/mod_resource/content/1/20226d-DocCient_-_Sindrome_Morte_Subita_do_Lactente.pdf. Acesso em: maio de 2022.

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