You are currently viewing BLW x Tradicional: qual o melhor método para Introdução Alimentar?<span class="wtr-time-wrap after-title">Tempo estimado de leitura: <span class="wtr-time-number">7</span> minutos</span>

BLW x Tradicional: qual o melhor método para Introdução Alimentar?Tempo estimado de leitura: 7 minutos

Método BLW, método tradicional… chegou a tão esperada hora da introdução alimentar, e junto com esse momento, surgem diversas dúvidas, como qual é o melhor método para esses alimentos para os bebês e garantir uma introdução alimentar de sucesso para que seu filho desenvolva uma boa relação com a comida e hábitos alimentares saudáveis que farão diferença para toda a vida dele.

Introdução Alimentar

Antigamente as mães eram orientadas a preparar papinhas batidas para os bebês, misturando e liquidificando todos os alimentos e hoje em dia já sabemos que isso não é mais recomendado.

A introdução alimentar é um momento de transição entre o leite e a comida e isso significa que ele precisa aprender a comer, a sentir o gosto dos alimentos. Quando misturamos tudo no liquidificador, a gente afeta a textura desses alimentos e também o sabor, porque o bebê não sabe exatamente o que está comendo.

Com esse conceito de oferecer os alimentos separadamente, surgiram diversos estudos sobre diferentes técnicas para essa oferta, sendo os mais conhecidos o método tradicional e o método BLW.

Vamos conhecer melhor cada um deles no vídeo abaixo:

BLW ou Tradicional: qual o melhor método de introdução alimentar?

Método tradicional

O método tradicional baseia-se na introdução gradual dos novos alimentos na rotina alimentar da criança com gerenciamento e supervisão dos pais ou cuidadores.

A orientação inicial envolve a oferta de preparações com os alimentos amassados (não liquidificados), para facilitar a deglutição da criança e evitar um possível engasgo com o alimento e o risco de sufocamento, pela obstrução das vias aéreas.

Nessa abordagem, os pais ou cuidadores administram a refeição, utilizando-se da colher ou copo para oferecer os alimentos complementares, que geralmente são bem aceitos, possuindo assim, todo o controle da alimentação da criança: quantidade, qualidade, ritmo e duração da refeição.

O maior problema desse método é que, como o cuidador é quem gerencia toda a alimentação, o reconhecimento da saciedade pelo bebê pode ficar prejudicado se os pais não souberem prestar atenção ao sinal. Além disso, a falta de interação da criança com a comida pode resultar em menor interesse.

A alimentação complementar é adaptada conforme as necessidades e o desenvolvimento da habilidade de coordenação da mastigação e deglutição, aumentando-se gradativamente a consistência e a variedade dos alimentos. Os purês e papas são substituídos por alimentos picados, desfiados ou cortados em cubos pequenos, até chegar a dieta da família, devendo ocorrer em torno dos 12 meses de idade.

Método BLW

A sigla BLW refere-se ao método Baby-Led Weaning, criado em 2008, pela enfermeira social inglesa, PhD. Gill Rapley, preconiza a introdução alimentar gradual e natural da alimentação complementar, propondo a auto-alimentação do bebê desde o início, isto é, sem auxílio/interferência dos pais ou cuidadores.

É uma abordagem alternativa ao método tradicional, pela oferta de alimentos complementares em pedaços maiores, na forma de tiras ou bastões para o bebê experimentar e descobrir texturas e sabores com as próprias mãos. O método BLW confere total autonomia ao bebê, dando-lhe todo o controle sobre a quantidade de alimento ingerido e o tempo de duração da refeição.

O bebê está apto ao método desde que o mesmo apresente os sinais de desenvolvimento adequados, chamados de “sinais de prontidão”.

Entretanto, esse método também possui algumas desvantagens como maior sujeira e bagunça durante as refeições, maior desperdício de alimentos e alguns estudos também mostram que crianças alimentadas pelo método BLW são mais propensas a desenvolver deficiências nutricionais.

A alimentação complementar por BLW não inclui administração do alimento com a colher e nenhum método de adaptação de consistência para preparar a refeição da criança. É uma abordagem multissensorial onde o bebê, com as próprias mãos, interage com formas, cores, sabores e texturas diferentes dos alimentos, favorecendo o desenvolvimento motor e cognitivo.

Uma alternativa no meio termo

Como mostrei, os dois métodos possuem vantagens e desvantagens e, como tudo, acho importante encontrar o caminho do meio. Por isso, quando criei o método Gi Belarmino de Introdução Alimentar, me baseei no método participativo, que une o melhor dos dois métodos.

O método BLW demanda que os alimentos sejam oferecidos em cortes específicos que não oferecem risco de engasgo. Quando a mãe precisa voltar ao trabalho e esse filho fica na escola ou com babá ou avós, como fica essa oferta?

Por isso, o que eu indico é: prepare os alimentos seguindo a evolução de textura do método tradicional e deixe alguns deles em cortes BLW para o bebê interagir com o alimento enquanto você oferece na colher também. Dessa forma ele cria autonomia e não deixa de se alimentar.

Entretanto, um ponto muito importante a se considerar é que independente da técnica, tem duas regras essenciais que são extremamente importantes para uma introdução alimentar de sucesso.

Regras de ouro para uma introdução alimentar de sucesso

Primeira regra: respeitar a saciedade do bebê

A saciedade do bebê precisa ser respeitada!

A introdução alimentar é o momento de apresentação dos alimentos e início da construção da relação do bebê com a comida, então ele determina a quantidade da comida e o papel do adulto será oferecer variedade.

Por exemplo, a técnica BLW é conhecida pela vantagem de respeitar saciedade porque o bebê pega e come o que quer e quanto, mas isso também é possível na participativa ou tradicional se a colher que for oferecida para o bebê seja entregue somente se ele estiver receptivo para isso. Nada de aviãozinho, só mais uma colher, etc. Se o bebê abrir a boca para receber essa colher, você continua oferecendo. A partir do momento em que ele recusar, não force.

Dessa forma você estará respeitando os sinais de saciedade que seu bebê apresenta e isso será de extrema importância no relacionamento dele com a alimentação para toda a vida.

Segunda regra: não misturar os alimentos

É muito importante oferecer os alimentos individualmente porque é nessa fase que você fará adaptação do paladar, o bebê precisa se acostumar com sabores e texturas e nem sempre aceitará os alimentos de primeira.

É nesse momento que você irá educar esse paladar, o que evitará ou minimizará uma redução da ingestão e seletividade alimentar já esperada entre 1 a 3 anos.

Confira: Como compor o prato de refeição do bebê?

A introdução alimentar é o alicerce da alimentação do bebê e precisa ser bem construída pois trará impactos para toda a vida!

De mãe em mãe, construiremos um novo maternar!

Referências

Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Alimentação: orientações para alimentação do lactente ao adolescente, na escola, na gestante, na prevenção de doenças e segurança alimentar, 2018.

Ministério da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos, 2019.

Sociedade Brasileira de Pediatria. Alimentação Complementar e o Método BLW (Baby-Led Weaning), 2017.

Morison BJ, et al. How diff erent are baby-led weaning and conventional complementary feeding? A cross-sectional study of infants aged 6–8 months. BMJ open 2016;6(5):e010665.

Fangupo LJ, et al. A baby-led approach to eating solids and risk of choking. Pediatrics. 2016;138(4):e20160772.

Deixe um comentário

Fechar Menu