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Alimentação na amamentação: o que comer e o que evitarTempo estimado de leitura: 6 minutos

Quando o assunto é alimentação na amamentação, um dos termos mais buscados no Google é “alimentos proibidos na amamentação” e o que mais me espanta com essa busca é a quantidade de respostas equivocadas para essa pergunta. Como nutricionista, cientista e como mãe, eu sei bem o quanto a alimentação da mãe interfere na amamentação e como é importante estar bem informada sobre esse assunto e, por isso,  no texto de hoje, vou desmistificar a alimentação durante a amamentação!

Confira: Como ter sucesso no aleitamento materno em 10 passos

Importância da alimentação na amamentação

Durante o período de amamentação, o organismo materno passa por uma série de adaptações e a demanda por alguns nutrientes aumenta e se você não repuser esses nutrientes de forma adequada, acredite, a maior prejudicada será você! 

Como assim? 

A frase “não existe leite fraco!” é uma das maiores verdades do mundo da nutrição. Isso acontece porque quando a mulher engravida, o bebê passa a ser a prioridade do corpo dela e o mesmo acontece durante a amamentação. Isso porque o organismo materno tem um mecanismo que compensa o que não é obtido na alimentação. Então, se não consumir certos nutrientes, ele vai tirar do seu “estoque” do corpo para criar a fórmula perfeita para o leite. Por isso, mesmo mães desnutridas são capazes de oferecer um leite forte.

O único problema é que uma alimentação escassa pode diminuir a quantidade de leite produzido, o que pode levar a um desmame precoce. Por isso, manter uma alimentação completa, equilibrada e variada durante a amamentação é essencial.

Alimentação na amamentação: alimentos proibidos

alimentação na amamentação

Diferente do que vemos por aí, não existem alimentos que são, por si só, contraindicados para as mulheres que estão amamentando. A princípio, todos os alimentos são permitidos, mas é importante ficar atenta aos sinais do bebê.

Existem alguns alimentos que causam muitas dúvidas nas mães durante esse período, vou esclarecer as principais: 

1- Alimentos que fermentam

Há uma ideia equivocada de que alimentos que fermentam e possivelmente causariam gases nas mães, causam gases (e cólicas) também aos bebês e é comum encontrar recomendações para que as mulheres evitem o consumo de alimentos como repolho, brócolis, ovo, batata e leguminosas, como o feijão. A verdade é que isso depende muito de bebê para bebê. Você definitivamente não precisa excluir esses alimentos da sua alimentação, mas é importante observar os sinais do seu bebê.

Minha recomendação é, fique de olho no comportamento do filhote. Comeu algo que parece não ter caído bem para a criança? O choro se intensificou após você comer algo diferente? Vale repensar a escolha do alimento para garantir mais conforto. Fazer um diário anotando o que você come para relacionar com os episódios de cólica do bebê pode te ajudar a identificar um padrão. 

2- Cafeína 

Cafeína é um estimulante e em excesso pode passar para o leite materno e atrapalhar o sono do bebê. Mas, ao contrário do que muita gente pensa, não precisa excluir totalmente o café da sua vida, só fique atenta ao horário e quantidade. O ideal é consumir até, no máximo, 2 xícaras de café por dia. 

Isso serve também para outras bebidas que contenham cafeína, como refrigerantes, chá preto, chá mate. 

3- Bebidas alcoólicas

Aqui também rola uma confusão nas recomendações. Ao mesmo tempo que existe por aí a crença de que cerveja malzbier aumenta a produção de leite, sabemos que a ingestão de álcool é prejudicial ao bebê. 

Desmistificando essa questão, a cerveja malzbier não é estimulante da produção de leite. Álcool é uma substância que passa para o leite materno e pode afetar inclusive o sistema neurológico do bebê. Portanto, não é recomendado que a mãe ingira bebidas alcoólicas pelo menos no início da amamentação, quando o bebê mama com maior frequência. 

Depois de alguns meses, depois da introdução alimentar, o bebê reduz a ingestão de leite para intercalar com a amamentação e, com mamadas mais espaçadas, a mãe pode, junto com o pediatra, traçar uma estratégia para entender quanto tempo ela precisa esperar para amamentar depois de ingerir bebida alcoólica, se ela tiver vontade. 

4- Chocolate, pimenta e alimentos condimentados

O chocolate é rico em uma substância chamada teobromina e a pimenta contém capsaicina. Essas substâncias são associadas a aumento nos episódios de cólica nos bebês, mas, como no caso dos fermentados, cada caso é um caso. 

Vale observar seu bebê e evitar se perceber que esses alimentos causam cólicas, mas, caso o contrário, não precisa se preocupar!

Veja também: 10 mitos sobre aleitamento materno!

Alimentação na amamentação: o que comer?

A recomendação para a alimentação durante a amamentação é a recomendação geral para uma alimentação saudável. 

A alimentação durante a amamentação deve conter essencialmente alimentos in natura ou minimamente processados. No período de aleitamento materno, a mulher deve dar preferência a comidas feitas em casa e pratos que incluam alimentos naturais como frutas, legumes, verduras, arroz, feijão, carnes, peixes e ovos.

O cuidado com a hidratação deve ser redobrado, já que a parte líquida do leite é produzida a partir da hidratação da mãe. Com a demanda aumentada de água no organismo é possível sentir mais fome e sede e, por isso, a mulher que está amamentando pode ficar mais desidratada que o normal, então é importante que a mulher que está amamentando beba ainda mais água. Uma boa dica é ter uma garrafa de água sempre por perto quando for amamentar.

As escolhas alimentares da mãe influenciam no paladar do bebê. O leite materno tem algumas variações de sabor, dependendo do que a mãe come. Então, ele é fundamental para desenvolver o paladar do bebê e fazer com que o seu pequeno coma de tudo quando estiver mais velho! Então varie na alimentação durante a amamentação para garantir todos os nutrientes e também um repertório de paladar rico para seu filho!

De mãe em mãe, construiremos um novo maternar!

Referências

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília : Ministério da Saúde, 2019.

Sattari M, Serwint JR, Levine DM. Maternal Implications of Breastfeeding: A Review for the Internist. Am J Med. 2019;132(8):912-920. doi:10.1016/j.amjmed.2019.02.021

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