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Intolerância à lactose em crianças: tudoTempo estimado de leitura: 5 minutos

A intolerância à lactose em crianças é uma queixa cada vez mais comum e que causa bastante ansiedade à família, pois está diretamente relacionada com a alimentação da criança. 

Além disso, é constantemente confundida com a alergia à proteína do leite de vaca (APLV), mas são coisas totalmente diferentes. No caso da alergia à proteína do leite de vaca, há uma reação imunológica adversa às proteínas do leite que acontece após a ingestão (ou contato) de uma porção, mesmo que muito pequena, provocando alterações no intestino , na pele e no sistema respiratório. No caso, o tratamento é bastante diferente em comparação à intolerância à lactose.

Já fiz um post aqui no De Mãe em Mãe falando tudo sobre a alergia à proteína do leite de vaca, e hoje venho tirar todas as dúvidas sobre a intolerância à lactose!

O que é a intolerância à lactose? 

A lactose é o açúcar de quase todos os leites. Quando ingerimos, esta substância é quebrada em dois açúcares menores (galactose e glicose), os quais são absorvidos no intestino delgado, alcançam a corrente sanguínea e, então, são utilizados como fonte de energia pelas células.

Essa quebra da lactose é realizada por uma enzima presente no intestino delgado chamada LACTASE. Quando há uma deficiência da enzima lactase, a lactose não é digerida e então vai para o intestino grosso, onde é fermentada por bactérias, provocando mal estar.

A intolerância à lactose pode ter três causas diferentes

A Sociedade Brasileira de Pediatria classifica a intolerância Brasileira em três tipos:

1- Hipolactasia do “tipo adulto”

Esse tipo de intolerância à lactose é uma doença genética e afeta pessoas com predisposição genética. Em crianças, costuma manifestar os sintomas a partir de três anos.

2- Intolerância congênita à lactose

Esse tipo é o mais raro e o bebê apresenta sintomas ainda recém-nascido. O bebê não consegue ter o aleitamento materno exclusivo e precisa ser alimentos com fórmulas sem lactose.

3- Intolerância secundária à lactose

Essa intolerância ocorre quando há uma diminuição de lactase temporário que pode ser causada por fatores diversos e depois os regulariza os níveis. Ela pode causar diarreia, doença de Crohn, gastroenterite viral e giardíases. Bebês prematuros podem apresentar essa intolerância, já que ainda não são capazes de produzir lactase suficiente.

Intolerância à lactose em crianças: sintomas

Os sintomas de intolerância à lactose geralmente começam em poucos minutos ou em até algumas horas após a ingestão de alimentos que contenham lactose. O principal sintoma é a dor abdominal que pode vir acompanhada de náuseas e vômitos, diarreia, aumento na eliminação de gases, distensão abdominal, dermatite peri anal (“assaduras”) e às vezes, constipação intestinal. 

Como diagnosticar a intolerância à lactose em crianças? 

O diagnóstico clínico é a conduta mais realizada ao perceber os sintomas de intolerância à lactose em crianças. Para isso, deve-se excluir da alimentação da criança todos os alimentos que possuem lactose por um período e observar se há melhora nos sintomas. Então, mais tarde, é realizada a reintrodução desses alimentos e, se os sintomas reaparecerem, é confirmado o diagnóstico. 

Entretanto, esse é um método subjetivo e pode ser afetado por outras variáveis. Então, se ainda restarem dúvidas, há a possibilidade de realizar exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico: 

1- Teste Respiratório de Hidrogênio Expirado

Mede a quantidade de hidrogênio liberado pelos pulmões. Este gás é liberado quando há fermentação da lactose no intestino grosso.

2– Teste Oral de tolerância à lactose

É um exame de sangue que consiste em dosagens seriadas de glicemia após a ingestão de 20 ou 50g de lactose. Durante a realização destas glicemias, espera- se um aumento de cerca de 20mg/dL em relação ao jejum. Se não aumentar, é porque a lactose não foi digerida. 

Como é realizado o tratamento da intolerância à lactose em crianças? 

intolerância à lactose em crianças

O tratamento consiste na redução da ingestão de lactose presente em laticínios. Este procedimento costuma ser suficiente. Quanto mais intolerante for a pessoa, menor deve ser a quantidade do açúcar ingerido para que não ocorram sintomas.

Por isso, saber se o alimento tem lactose e em qual teor é fundamental! Atualmente no Brasil há uma regra de rotulagem alimentar que obrigada os fabricantes a informar a presença de lactose nos alimentos. Qualquer alimento que contenha lactose em quantidade acima de 0,1% deverá trazer a expressão “Contém lactose” em seu rótulo.

Há tipos de rótulos para a lactose, de acordo com a quantidade presente: 

Zero lactose, isento de lactose ou não contém lactose

Alimentos com quantidade de lactose abaixo de 100mg para cada 100g de alimento (>0,1%). 

Contém lactose 

Qualquer alimento que contenha mais de 100mg para cada 100g de alimento. 

Baixo teor de lactose ou Baixo em lactose

Alimentos com lactose em quantidade de 100 mg até 1g para cada 100g de alimento.

Além disso, existem medicamentos com a enzima lactase para o uso quando for preciso ingerir lactose em situações especiais. Esta enzima é encontrada em apresentações de pó, pílulas ou líquido e deve ser ingerida logo antes do alimento para a digestão da lactose.

Referências

Misselwitz B, Butter M, Verbeke K, Fox MR. Update on lactose malabsorption and intolerance: pathogenesis, diagnosis and clinical management. Gut. 2019;68(11):2080-2091. doi:10.1136/gutjnl-2019-318404

Sociedade Brasileira de Pediatria. Intolerância à lactose. Disponível em: https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/noticias/nid/intolerancia-a-lactose/. Acesso em: março de 2022.

Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RESOLUÇÃO – RDC N° 136, DE 8 DE FEVEREIRO DE 2017 – Estabelece os requisitos para declaraçãoobrigatória da presença de lactose nos rótulosdos alimentos. Disponivel em: https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/20794620/do1-2017-02-09-resolucao-rdc-n-136-de-8-de-fevereiro-de-2017-20794494. Acesso em: março de 2022. 

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