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Qual a diferença entre baby blues e depressão pós parto?Tempo estimado de leitura: 6 minutos

Você já ouviu falar em baby blues? É um período de tristeza que pode acontecer com algumas mulheres após o parto. Hoje vou explicar melhor o que é baby blues, por que ele acontece e qual a diferença entre baby blues e depressão pós-parto.

O que é baby blues?

Quando você imaginou conhecer a maior felicidade de todas, pode se deparar com uma tristeza estranha. Não significa não estar feliz com a chegada do bebê, mas, sim, lidar com um turbilhão de emoções que chegam sem avisar. Estamos falando do Baby Blues, período que algumas mulheres enfrentam depois do parto.

Essas alterações de humor são decorrentes de alterações hormonais abruptas que acontecem após a eliminação do bebê. O descolamento da placenta dentro do útero faz com que toda essa comunicação hormonal da mulher com o bebê se perca e o corpo reage a isso.

A boa notícia é que, da mesma maneira que chega do nada, essa melancolia também vai embora de repente. Mas é preciso ter paciência para enfrentar esse período complicado. No baby blues, a mulher se sente mais sensível, insegura e cobrada porque ela gostaria de estar bem, mas o seu humor não está bom. Ela se sente culpada por querer ter o momento de maternidade idealizado na revista, na novela, nas redes sociais, mas não está se sentindo emocionalmente apta para isso.

Essa alteração pode surgir logo após as primeiras 24 horas do parto e pode durar de duas semanas até 30 dias. Além das alterações hormonais, ele também está relacionado com questões emocionais como, por exemplo, se a gestação foi muito idealizada, se a mãe esperava um tipo de parto e precisa fazer de outra forma, idealização da amamentação, se a mãe está com medo de dar conta da situação, se bebê chora bastante.

Como diferenciar o baby blues da depressão pós-parto?

Diferentemente do que algumas pessoas acreditam, o que distingue o baby blues da depressão pós-parto não é o tempo de duração, mas a intensidade dos sintomas. O primeiro transtorno não atrapalha o funcionamento da vida da mulher e apesar de estar melancólica, ela consegue fazer suas atividades rotineiras. O mesmo nem sempre acontece com a depressão. A gente consegue diferenciar pelo impacto e não pela sintomatologia. Se a mulher não estiver conseguindo se concentrar para ler um livro, ver TV, ou se o sono dela estiver muito alterado – que não seja pelo bebê -, se ela não conseguir se alimentar e se sentir incapaz de cuidar do filho, é possível que seja depressão.

Tudo é mais acentuado na depressão pós-parto: o choro mais frequente, a dificuldade para dormir maior, assim como para se alimentar, e a falta de interesse pela criança ou por fazer outras atividades que antes eram consideradas prazerosas. Nesse sentido, o baby blues não apresenta um impacto tão forte na vida da mãe, mas ele cria, sim, uma confusão de sentimentos. Ao mesmo tempo em que ela está feliz, que tem um vínculo com o bebê, sente ansiedade, tristeza, vontade de chorar sem motivo. No caso de depressão, a mãe também pode ter maior perda de energia e esgotamento.

O que pode ajudar?

Se a mãe está bem, o bebê estará bem, por isso é importante cuidar de você. Como eu comentei, o baby blues desaparece sozinho após um tempo, mas tem algumas ações que você pode ter para amenizar esse momento:

  • Uma rede de apoio, que ajude a mãe é essencial. Organize com antecedência quem vai te ajudar na sua alimentação, e a limpar a casa no pós-parto. Veja a possibilidade de o pai conseguir uma licença paternidade. Nesta fase também pode surgir uma nova rede de contatos, amizades, companhias. Infelizmente não é a realidade de todas, então já fiz um vídeo com dicas para organizar a casa no pré-parto para um pós-parto mais tranquilo caso você não tenha rede de apoio. Clique aqui para assistir.
  • Descanse, durma bastante e descanse bem antes do parto. Procure se preservar ao máximo, alimentar-se, descansar sempre que possível. Aqui no site temos alguns conteúdos sobre organização da rotina do bebê para te ajudar a ter um tempo para você desde que o bebê chega da maternidade. Clique aqui para conferir.
  • Lembre-se de manter a calma e saiba que em algum tempo a dinâmica da família vai se reorganizar, pois estas transformações podem trazer inseguranças, cansaço.
  • Alimente- se bem, organize com antecedência uma pessoa que te ajude a cuidar da sua alimentação no pós-parto, ou congele comida, sucos e lanches antes do parto para ter disponível de maneira mais prática no pós-parto.
  • A respeito da Sensibilidade emocional e Oscilações de humor é preciso ter paciência, acolher a si mesma, se aceitar como e pedir ajuda se necessário.
  • Na vida há momentos em que é natural e saudável sentir tristeza, raiva, decepção etc. Viver no aqui agora é aceitar as emoções que temos no presente, sejam quais forem. E se são “negativas” saiba que isso também passará.
  • Este é um momento em que você precisa direcionar a sua energia para você e para o seu bebê. Se você não se sentir confortável recebendo visitas, seja porque não consegue dar atenção, ou manter a casa organizada, ou porque quer esperar o tempo das vacinas por segurança, ou porque não está afim mesmo, limite as visitas somente à quem já frequentava sua casa antes, ou a quem vai para te ajudar.
  • Não queira ser a “mulher maravilha”, entenda que esse é um processo natural, pode acontecer com muitas mulheres e isso não significa que você não ame seu bebê ou ser mãe. Converse com seu companheiro, família e amigos sobre como está se sentindo e fale com seu médico se sentir que está demorando a passar para avaliar possíveis tratamentos. 

Espero que esse conteúdo te ajude a trazer mais leveza para um momento muito difícil e que, inevitavelmente, faz com que as mulheres se culpem. Espero que tenha te ajudado. 

De mãe em mãe, construiremos um novo maternar!

Referências

Degner D. Differentiating between “baby blues,” severe depression, and psychosisBMJ. 2017;359:j4692. Published 2017 Nov 10. doi:10.1136/bmj.j4692

Depression During and After Pregnancy: When It’s More Than the Baby BluesAm Fam Physician. 2016;93(10):.

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