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Crianças na escola: como animar seu filho para a volta às aulas?Tempo estimado de leitura: 8 minutos

Após um ano e meio de isolamento social, com atividades remotas e maior tempo dentro de casa, é normal que as crianças tenham apreensão com a volta às aulas presenciais.

Não vou, nesse post, discutir a escolha de colocar ou não as crianças na escola e retornar às aulas presenciais. Acredito que isso depende muito do contexto e necessidades de cada família e essa é uma decisão que deve ser tomada entre família, pediatra e escola, em conjunto, considerando o melhor para cada realidade.

Nesse post, trago nove dicas de como auxiliar no processo de readaptação das crianças à nova rotina escolar. Isso ajudará a que não estranhem uma mudança brusca no dia a dia. Confira:

Crianças na escola

1. Redefina horários

Com as aulas à distância, é comum que as crianças queiram dormir um pouco mais, afinal o tempo de se trocar, comer e se deslocar é praticamente inexistente agora. Entretanto, com a volta das atividades presenciais, pode ser necessário fazer com que a criança acorde mais cedo. Então é importante que ela tenha hora certa para dormir e acordar. Isso já vai ajudá-la a entrar na rotina escolar novamente.

2. Organize os materiais

Outra forma de animar as crianças na escola é convidá-la para participar da compra e escolha dos materiais escolares. Embora muito pais possam optar pelo reaproveitamento dos materiais do ano passado, incentive seu filho a separar quais os objetos serão necessários nesta retomada. Envolvê-lo na identificação do material também é válido, seja ajudando a colar as etiquetas, seja para escrever o nome em cada caderno e lápis destinados à escola.

3. Prepare o seu filho para o retorno presencial

Precisamos lembrar que as crianças estão há 1 ano e meio isoladas em casa, sem contato com outras pessoas, e que o último contato que elas tiveram na escola não havia restrições. Então o primeiro impulso delas pode ser de abraçar os coleguinhas e professores, e muitas das crianças também não estão habituadas ao uso de máscaras.

Por isso, é importante explicar e prepará-los para os cuidados que eles precisarão tomar no convívio com outras crianças. Usar a máscara em alguns momentos enquanto está brincando em casa, conversar a respeito disso e falar da questão de lavar as mãos, acostumar a criança com o distanciamento, explicar que apesar da saudade dos amigos, é necessário que eles mantenham distância um do outro, até mesmo na hora da brincadeira são ações importantes e necessárias.

Além disso, vale orientá-los quanto à troca de lanches, que é geralmente muito comum mas que agora requer mais atenção, então é ideal que seja evitada.

4. Reforce sobre a prática de lavar as mãos na escola

Por mais que você já tenha falado sobre isso com seu filho, vale reforçar a necessidade de, na escola, lavar as mãos com água e sabão ou higienizá-las com álcool em gel 70% por várias vezes. Por exemplo, antes e após as refeições, após tossir, espirrar, usar o banheiro, e atividades com outras crianças, após a colocação da máscara.

5. Atente para o tamanho das máscaras (e a partir de que idade é indicada o seu uso)

É aconselhável não mandar as crianças na escola com máscaras muito grandes. Isso pode comprometer a própria segurança deles pois, ao usarem máscaras largas, as crianças podem se sentir desconfortáveis para brincar ou mesmo falar, já que a peça começa a escorregar do rosto, o que fará com que eles levem as mãos à máscara a todo momento para arrumá-las.

Aqui vale ressaltar que o uso de máscaras para menores de 2 anosnão é recomendado nem na escola nem em outros ambientes. Já crianças entre 2 e 5 anos podem usar, desde que tenham supervisão constante e se a criança está bem adaptada. Entre 6 e 10 anos as escolas costumam exigir o uso e para maiores de 10 anos e adultos o uso no ambiente escolar é obrigatório. 

6. Incentive o vínculo com os amigos

A convivência com pessoas da mesma faixa etária permite que a criança e o adolescente tenham com quem compartilhar os interesses, vivências e conflitos próprios de sua idade.

O vínculo com os colegas amigos é que vai fazer a criança e o adolescente desenvolverem habilidades sócio-emocionais, como aprender a dividir e compartilhar, lidar com as diferenças, com as frustrações, ter empatia, se comunicar de forma mais assertiva e eficaz, ganhar e perder, ajudar o outro, lidar com conflitos, desenvolver a capacidade de enfrentar situações difíceis, respeitar os limites, entre outros.

7. Acompanhe o dia a dia escolar de seu filho

Neste retorno após um período difícil como esse tem sido, é essencial que haja integração entre escola e família e uma participação efetiva dos pais na rotina escolar dos filhos. O acompanhamento próximo traz melhores resultados de aprendizado e um aproveitamento mais adequado das atividades pedagógicas para os alunos.

Questões relacionadas ao comportamento das crianças devem estar no radar de todos e ser tratado como tema prioritário. Quando os pais são presentes e acompanham de perto o desenvolvimento educacional dos filhos, em todas as etapas, as habilidades sociais delas aumentam e com isso diminuem as chances de problemas comportamentais, muito comuns hoje em dia.

É interessante também colocar como rotina as discussões sobre assuntos escolares, sempre se envolver nas lições e trabalhos pedagógicos, ter sempre o conhecimento do rendimento da criança na escola, saber como ela está se desenvolvendo nas atividades extras, se interessar em saber quem são seus amigos neste ambiente e qual relação o filho tem com estas crianças, entender como ela se posiciona ou lida diante de conflitos e dificuldades e ensinar autonomia. Praticar todas essas atitudes são bons exemplos de participação dos pais no “mundo escolar” dos filhos.

8. Observe os sentimentos da criança neste período

Algumas crianças podem não estar tão animadas com esse retorno por causa das mudanças de rotina que tiveram durante a pandemia, ao não ter que acordar cedo todos os dias, não precisar se deslocar para escola, ter mais tempo para atividades de lazer ou menos aulas semanais, por exemplo.

Outros, podem não estar querendo voltar às aulas presenciais por terem enfrentado dificuldades e distúrbios emocionais durante a pandemia, como transtornos relacionados à ansiedade, depressão, luto por uma pessoa querida, sobrecarga emocional, conflitos e problemas familiares e financeiros. Perguntar como os filhos estão se sentindo, se estão ansiosos e, neste caso, o que podem fazer para ajudar, são maneiras dos pais oferecem apoio aos filhos neste período. E se a criança tem receio de voltar à escola é importante lembrá-la das coisas que ela mais gosta da escola.

9. Mantenha os momentos de lazer

Aos fins de semana e mesmo durante a semana, se possível, não se esqueça de reservar um período do dia das crianças para brincadeiras! Elas são muito importantes para o bom desenvolvimento dos pequenos, ajudando na construção da vivência de mundo, da criatividade e da coordenação motora, entre tantos outros benefícios. Caso seja possível, planeje visitas a parques ao ar livre, visto que essa experiência é muito enriquecedora para as crianças, ao permitir o contato com a natureza e a mudança de ares, ajudando-as a se distrair longe do ambiente de casa.

Nesse post aqui, com o auxílio de uma psicóloga expliquei um pouco a importância do lúdico e das brincadeiras para o desenvolvimento das crianças.

Nesse outro, falei alguns passeios para parques e praças ao ar livre que podemos fazer com as crianças na pandemia.

Espero que esse conteúdo te ajude com a volta às aulas presenciais. Se tiver alguma dúvida, escreve aqui embaixo ou pode me mandar lá no Instagram @gibelarmino_.

De mãe em mãe, construiremos um novo maternar!

Referência

ONU – ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Education during Covid-19 and beyond. United Nations, 2020. Disponível em: <https://www.un.org/development/desa/dspd/wp-content/uploads/sites/22/2020/08/sg_policy_brief_covid-19_and_education_august_2020.pdf>. Acesso em: 16 de junho de 2021.

WHO – WORLD HEALTH ORGANIZATION. Key messages and actions for Covid-19 prevention and control in schools. Geneve: WHO, Mar. 2020.

Mygind L, Kurtzhals M, Nowell C, et al. Landscapes of becoming social: A systematic review of evidence for associations and pathways between interactions with nature and socioemotional development in children. Environ Int. 2021;146:106238. doi:10.1016/j.envint.2020.106238

Brazzelli E, Grazzani I, Pepe A. Promoting prosocial behavior in toddlerhood: A conversation-based intervention at nursery. J Exp Child Psychol. 2021;204:105056. doi:10.1016/j.jecp.2020.105056

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